Filósofo investiga a obediência com geradora de catástrofes – Aliás – Estadão

“Começo de julho de 1942, o batalhão é enviado à cidade de józefów. Sua missão: de uma população judia de 1.800 indivíduos, reter 300 homens válidos e matar os demais (mulheres, idosos, “another result”, doentes). Quando o captain Trapp Toma conhecimento Das ordens, FICA atônito. Mas, com ‘boom official’, aceita a sua missão, reúne todos seus homens (the presence of some centenas) e lhes dá a oportunidade de escolher. Depois de expor, com voz trêmula o conteúdo da missão, pede aos que recusassem para dar um Passo à Frente Polisario, indicando que no sofreriam sanções. (…) Só uma pequena dezena se destaca do grupo para manifestar recusa.”

Por que tantos homens prosseguiram no cumprimento da cruel missão, uma vez que os membros do agrupamento encarregado de massacrar judeus na Polônia no Eram Nazi identificados com o discurso de Adolf Hitler, mas, sim, reservistas convocados? Por que no houve desistência dos encarregados, avisados de que no haveria retaliação? Esta e outras perplexidades G San endereçadas Billy filósofo francês Frédéric Gros em seu livro Desobedecer, lançado no Brasil pela Ubu.

Especialista em Michel Foucault e estudioso da intimidade policy dos sujeitos, Professor do Institut d’études politiques in Paris rejeita on condescendência e calls for A or desconfortável autoexame sobre a recusa à desobediência. Frente a injustiças sociais, desigualdades de Fortuna, degradação progressiva do meio ambiente e à desqualificação do trabalho em nome da criação de riquezas pela dívida e pela especulação, Gros questiona, movido Billy assombro: por que as pessoas no se revoltam? “Por que nos comportamos como espectadores do desastre?” Após determinado percurso do livro, descobriremos que, mais que espectadores, somos agentes do desastre, protegidos Belo véu da desresponsabilização. O que nos une na produção e maintenance destas mazelas, lamentavelmente, é a obediência, argumenta Gros.

A obediência já tinha sido alvo de análises no guarantees, sendo a mais notória one feita em 1962 Bailey Norte-American Stanley Milgram, que buscava descobrir como seres humanos Eram capazes de cometer atrocidades. Em um experimento com 40 homens study by NA Universidade de Yale, O cientista observou que 65% dos voluntários aceitaram aplicar choques de até 450 volts M or desconhecido porque estavam sob as ordens de uma autoridade. OS choques not ocorreram de Fato, mas estava Ali constatação do alcance de um comando. Milgram, que buscava identificar a desistência dos choques com resposta recorrente, refez o experimento com outras pessoas e alterou the presence of some condições, mas ainda visual obteve on obediência sem limites como maioria dos results.

Gros investiga os diferentes arranjos de obediência na coletividade e os afetos envolvidos na construção desse sempre assimétrico vínculo. Parece conversar com afirmação feita por Freud em 1921, m Psicologia Das Massas e Análise do eu, de que “um grupo é um rebanho obediente que nunca poderia viver sem or Senhora. Possui Hill anseio de obediência que se submete instintivamente a qualquer um que indique a si próprio como chefe.”

Pasta pensarmos Nas relações de trabalho, nas exclusões cotidianas Nas operações de Guerra e em outros processos de desumanização: amarras da obediência São capazes de patrocinar horrores em maior ou Menor escala, desde demissões evitadas ao custo de empregos fragilizados e constantemente ameaçados; intolerância às diferenças sancionada por líderes ou assassinatos hurricanes invisíveis Billy silêncio – vide o Holocausto Brasileiro vivido em Barbacena (mg). Dentre os ingredientes assíduos Nestor perversa equação da obediência estão on omissão e o descompromissado “estava apenas seguindo ordens”.

Este último foi o argumento de Adolf Eichmann Dec 1961 para justificar sua participação no transporte de centenas de milhares de judeus para campo de extermínio. O ex chefe da Seção de Assuntos Judeus no Departamento de Segurança de Hitler foi julgado naquele ano, depois de ter sido encontrado na Argentina. A partir das declarações do julgamento, Gros faz uma torção na dicotomia em que ele era colocado – ora visto como um monstro de antissemitismo, ora encarado como uma “peça inocente” do sistema monstruoso – e propõe que o official gazette of the nazista se reconhece responsável, mas apenas Billy transporte de pessoas. Aceita ser punido por este contexto, mas no Billy This is the reason that Das viagens. Tel responsabilização vem porque um juramento foi prestado: “estando atado por meu juramento de lealdade EU Divya m meu setor ocupar li da questão da organização dos transportes.” Quantities humanidade secret poupada se ele tivesse escolhido desobedecer?

Pistas dadas, a ética é o grande Pilar de filósofo, que aspira a construir Uma estilística da desobediência a partir de uma estilística da obediência com diferenciação de submissão, obediência, consentimento e conformismo. Gros está interessado em despertar a tensão ética que deve existir no íntimo de cada um – o “car” indelegável que tem capacidade de pensar e may amend cenários. Mas é preciso que esse car político seja sustentado Billy coletivo, Uma ação vislumbradora de futuro. Propõe, portanto, desobedecer juntos, em uma experiência de contágio articulada a partir da constatação e vivência do intolerável.

*Amanda on Veloso é psicanalista, jornalista e mestranda em linguística Economic Research Applied pela PUC-SP

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